Em comemoração aos 50 anos da psicologia no Brasil, o Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal, por meio da sua Comissão de Políticas Públicas, realizou no dia 09 de março de 2012, o "1º Seminário Regional de Psicologia e Políticas Públicas" na sede da LBV, em Brasília.
Durante todo o dia, mais de 200 pessoas, entre profissionais de psicologia, estudantes e alguns profissionais de outras áreas, estiveram reunidos para debater a atuação da categoria nas políticas públicas do Distrito Federal.
Dando início ao Seminário, a presidente do CRP-01, Carla Manzi e o professor e psicólogo, Juan Brandt, destacaram a importância de uma maior estruturação dos psicólogos, para que alcancem uma inserção mais efetiva nas diversas esferas das políticas públicas. Carla Manzi ainda fez um convite para a 2ª Mostra Nacional de Práticas em Psicologia, que acontecerá em São Paulo, no mês de setembro. “Pretendemos patrocinar o maior número de psicólogos possível para a participação no evento”, garantiu.
Logo após, a psicóloga assistente técnica do CREPOP/CRP-01, Renata Farret, apresentou dados técnicos e estatísticos de pesquisas realizadas sobre a atuação dos psicólogos nas políticas públicas do DF e falou sobre os entraves burocráticos e dificuldades para se conseguir números corretos que indiquem a quantidade exata de profissionais da classe em exercício nos órgãos públicos.
Psicólogos no atendimento a adolescentes, crianças e idosos
A primeira palestra do dia teve como tema “Atenção Primária na Saúde”, ministrada pela psicóloga da Secretaria de Saúde, Sílvia Lordello. Sílvia é responsável pelo Programa de Ação Integral à Saúde do Adolescente (PRAIA), que trabalha com adolescentes nas 15 unidades regionais de saúde do DF. “A atenção primária ao adolescente tenta impor uma visão individualizada, com uma ideia de acompanhamento integral, num espaço que não está preparado para esse tipo de atuação” afirmou.
Em seguida, o psicólogo Fábio Tomasello, da Secretaria da Criança, fez uma explanação sobre a atuação dos psicólogos no atendimento aos adolescentes em conflito com a lei. Tomasello ressaltou que a intervenção do psicólogo com esses adolescentes deve promover um resultado transformador. “Muito mais do que falar ou interpretar, o próprio exemplo de nossa postura ética na relação estabelecida com o adolescente é que vai ter um efeito tanto pedagógico quanto terapêutico”, explicou.
Como representante da classe dos psicólogos nas políticas públicas direcionadas à terceira idade, a convidada foi Elza Santos Maestro, uma das diretoras que fazem parte do grupo de servidores da Secretaria Especial do Idoso. A psicóloga coordena um projeto inovador, de caráter humanista, chamado GeraNeuro, um serviço de atendimento geriátrico, gerontológico e neuropsicológico, implantado no Hospital Regional do Paranoá. “O nosso serviço é feito de porta em porta e o que mais encontramos é idoso sendo violentado, roubado e negligenciado”, disse.
Logo após, foi realizado um debate com a participação do público presente, que pôde fazer perguntas e tirar dúvidas com os palestrantes.
Psicólogos contra a violência
No período da tarde, o primeiro tema a ser tratado foi “Enfrentamento da Violência Contra a Mulher”, em palestra ministrada pelos psicólogos Karla Valente e Luis Henrique Aguiar, ambos da Secretaria da Mulher. Karla Valente explicou que um aspecto comum nas mulheres vítimas de violência é a baixa auto-estima e muitas acabam voltando para os maridos agressores por não terem meios de se sustentarem. Daí a importância do atendimento psicológico e da inclusão social. “Firmamos uma parceria com a Secretaria do Trabalho e conseguimos incluir várias mulheres no mercado, graças à experiência adquirida em cursos profissionalizantes que oferecemos, como os de azulejaria e pintura, por exemplo”, afirmou.
Na sequência, o convidado foi Walter Gomes, psicólogo do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), que falou sobre o atendimento e encaminhamento de mães e gestantes. Ele explicou que em nome de uma ortodoxia legalista, ficam expostas e constrangidas mulheres que tem a coragem de procurar o sistema de Justiça para manifestar o interesse de entregar o filho para adoção. “Enquanto psicólogos, procuramos sensibilizar essas mulheres a desconstruir o mito de que a mãe que entrega o filho para adoção é uma mãe perversa, é uma mãe má, pois ela está apenas reconhecendo suas limitações; e o ato voluntário de entregar o filho é uma demonstração de afeto, um ato de cidadania”, esclareceu.
“A atuação do Programa Pró-vítima no DF” foi o tema tratado pela psicóloga Lilian Carla Valente, da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos. Ela conta que junto ao atendimento psicológico, é feito um atendimento jurídico que orienta a vítima sobre seus direitos no âmbito judicial. “Nosso diferencial é a realização de visitas residenciais para obtermos uma visão dinâmica e familiar da vítima”, explicou a psicóloga.
Psicologia no contexto escolar e na assistência social
A seguir, os presentes ouviram a fala da psicóloga Vicenza Capone, da Secretaria de Educação, que apresentou o trabalho preventivo realizado em jardins de infância e escolas-classe. Ela falou também sobre as dificuldades encontradas nos serviços de psicologia escolar.
Na sequência, o psicólogo Cassio Bravin Setúbal, da Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda, abordou o tema "Atuação do Psicólogo na Assistência”. Cássio falou sobre a confusão que existe em saber diferenciar os papéis do psicólogo e do assistente social e a necessidade de se delimitar o papel do profissional de psicologia nesse contexto.
Na opinião da presidente da Comissão de Políticas Públicas do CRP-01, conselheira e psicóloga Eliane Jardim, a realização do evento representou um ganho significativo para a categoria. “Tanto os profissionais quanto os estudantes de psicologia tem um interesse muito grande pela inserção da classe na elaboração das políticas públicas realizadas pelo estado”, finalizou.
Fonte: Site CRP-DF


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