O grande medo, receio do ser
humano, na condição de manter a própria vida é ser vítima de abandono. O
possível distanciamento de seus familiares e amigos soa como uma verdadeira
afronta e pavor. O homem, ser social, não suporta a ideia do isolamento, pois
para ele é um castigo cruel. O abandono gera além da morte física e espiritual
um sentimento de impotência que para alguns mais fragilizados chega ser
humilhante.
Para os detentos que representam um perigo a disciplina do regime
carcerário, os mais exaltados, a cura é o RDD (Regime Disciplinar
Diferenciado), a famosa solitária, a pena mais dura na correção de uma criança
é o afastamento de seus colegas, de suas atividades ou da própria mãe.
Somente os ventos soprando nos
ouvidos de uma mulher trazendo a possibilidade de ser abandonada pelo homem que
ama é suficiente para lhe dilacerar o coração.Dizia o ex-presidente José
Alencar “O que eu mais temo não é a morte,
mas a desonra”. Pois o desonrado vai chorar suas lágrimas na solidão junto as
pedras do deserto.
Para o idoso essa ameaça é ainda
mais torturante e pode lhe deixar cicatrizes profundas. O rei Davi já na
condição de um ancião revelou as suas súplicas, e orou a Deus dizendo: “Não me
rejeites na minha velhice; quando me faltarem as forças, não me desampares”, o
rei sabia que o abandono e o desamparo para o homem em sua velhice é cruel, e
para aquele que ama a Deus, sentir-se abandonado e desamparado por ele é o fim
da vida. Porém, ele jamais desampara aquele que o busca, mesmo que essa pessoa
para os outros não tenha nenhum valor. Deus é fiél!
Dizia o poeta Mario Quintana “O
que mata um jardim não é o abandono, o que mata um jardim é esse olhar de quem
por ele passa indiferente”. Ou seja, só o olhar, que cedo
ou tarde se traduzirá em desprezo e abandono.
Na fé, fique com Deus.
Ricardo Quirino


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